James “Logan” Howlett, o Wolverine, teve seus ossos envoltos cirurgicamente por Adamantium, um metal inquebrável. Infelizmente, Logan e o Adamantium não existem no mundo real, e você não pode ir até o SUS fazer o procedimento. Para nós, skatistas, isso seria uma ajuda e tanto, já que o cimento, o mármore, o ferro, o asfalto e o granilite parecem ser mais duros que os nossos ossos.
Durante a evolução da raça humana, o corpo não se preparou pra andar sobre uma tábua com quatro rodas, seja qual for a velocidade; talvez se os homens da caverna tivessem inventado algo parecido com o skate, hoje nós estaríamos mais resistentes. Mas não estamos. Para contornar esse problema, criamos os equipamentos de segurança, que protegem o que é possível proteger, chegando ao extremo das “bundeiras”. Hoje, os equipamentos de segurança são uma boa fatia do mercado de skate, com bons e péssimos produtos. Há capacetes específicos para vertical, speed, street e tudo mais. No mercado nacional, contam-se nos dedos os equipamentos de boa qualidade, que realmente protegem. Mas eu não quero discutir o mercado.
Como todo e qualquer assunto no meio do skate, os equipamentos de segurança dividem opiniões (esqueça os casos indiscutíveis, como speed, Mega, etc.): há os defensores fervorosos, e há os que são contra e não abrem mão. Os defensores afirmam que a diversão não diminui e o rolê não fica comprometido com o uso dos equipamentos; é item obrigatório e pode ser a diferença entre a vida e a morte.
Do outro lado, quem é contra afirma que a essência do skate se perde, que você se sente preso, que as fotos e vídeos ficariam horríveis… Geoff Rowley já veio até o Brasil, e não andou na pista de São Bernardo por não querer usar capacete. Alessandro Ramos, um dos skatistas mais basudos do Brasil, sofreu um traumatismo craniano na pista de Campo Grande. Rodney Mullen, por pressão dos pais, fazia freestyle forrado dos pés à cabeça. Fábio Sleiman, um dos mais atirados do mundo, que desce qualquer corrimão sem se importar muito com o tamanho e a inclinação, nunca (eu disse nunca) quebrou nenhum osso, por mais incrível que pareça. Esses são apenas alguns casos; o que eu estou tentando dizer é: não há regra, ou previsão, ou reza brava, ou amuleto da sorte que faça o acidente acontecer ou deixar de acontecer.
Com toda certeza, as chances de se machucar seriamente diminuem bastante com o uso do capacete e outros equipamentos, mas também há acidentes graves que nem o capacete segura. Você pode se machucar em um ollie no Ibirapuera, ou levantar normalmente, como o Jake Brown depois de cair de mais de 13 metros de altura na Mega Rampa. Eu não defendo o uso ou o não uso de equipamentos de segurança. O que eu defendo com unhas e dentes é o direito de você poder decidir se quer usar ou não, seja na rua ou nas pistas. O politicamente correto nunca deve ficar acima da liberdade de escolha.
O skate deve ser livre como sempre foi; quer usar, use; não quer, não use. “Fel, mas e os campeonatos, onde o organizador é responsável pelos acidentes?” Ora, o termo de responsabilidade assinado existe pra isso… Você, maior de idade, já sabe as conseqüências, o lado bom e o lado ruim. Se você está lendo isso e ainda não tem barba na cara, aconselho que você ouça seus pais.
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